Variação #3:

por Israel Fabiano Souza*

Nós, as sectoriais, pensou a morte, somos as que realmente trabalhamos a sério, limpando o terreno de excrescências, e, na verdade, não me surpreenderia nada que, se o cosmo desaparecer, não seja em consequência de uma proclamação solene da morte universal, retumbando entre as galáxias e os buracos negros, mas sim como derradeiro efeito da acumulação das mortezinhas particulares e pessoais que estão à nossa responsabilidade, uma a uma…

In: As intermitências da morte, de José Saramago

As implicações filosóficas da morte

Reli mais uma vez a lista: estava completa. Mesmo assim faltava um. Olhei para um lado, olhei para o outro e nada de encontrar o miserável que me faltava aos olhos. Despachadas todas as almas, fui cuidar de verificar mais atentamente o que havia acontecido. Foi quando vi o senhor lá em cima, no barranco, a olhar para baixo. Não pude acreditar na ousadia daquele ser que insistia em não querer descer. Tive que ir até lá. Num átimo estava eu perto da criatura que havia me tirado do sério e, acreditem, nestes milênios todos que estou a acompanhar o fenômeno vida neste planeta, foram poucas as vezes que conseguiram fazer meu estômago ferver de cólera, salvo os revolucionários e os filósofos: estes sim, são um estorvo à minha pessoa! Continuar lendo